Tenho uma mulher
dentro do cérebro
Ela não sai de lá
não passeia, nem brinca
ou brilha sob o solé uma mulher verde
verde no olharno mar verde a marmar a mar de a-mar o mar em mar
a-mar-o mar é -amar mar e mar :a-mar-o
( a-mar mar a-mar de mar-a à mar: a-mar-o-mar )
Muitas mulheres andam lá fora do meu cérebro
mas ela não é nenhuma delas
nunca nasceu ao mundo
que é para mim a extensão do meu cérebro
Essas mulheres la fora são mulheres do mundo
mundanas criaturas sob o céu
- o céu que risca a cor de anil a anum
São mulheres que não nasceram de mim
ou da poesia que poesia em poeta que poeta em mim
poeta do poeta que sou no poeta- no poeta de rasgar os céus com versos nus
Poetas de outras poesias /
chamaram-na na Beatriz ou Natércia
Julieta de Romeu, Sarah de Abraão
sussurraram Lolita em Nabokov
murmuraram-na em nomes de esposa ou concubinas
e virgens com face talhada nas virgens de Leonardo da Vinci
mas nenhuma era ela
nem em Leonardo da Vinci ou em Modigliani
- nenhum desses artistas esboçou a amada que não nasceu
que ficou guardada em sonhos
nadando sereia no mar onírico mar
mar a mar no mar a amar o mar
verde mar em olhos d'águaolhos dela de mar verde mar a mar - amar
( a-mar-o-mar a-mar-a a mar a-mar : a-mar-o-mar de mar em mar a mar a-mar )
Tentaram debalde trazê-la à existência ou ao existencialismo ateu
à mulher verde verde a olhos de mar verde nos olhos d'água verde mar
mar a mar de mar que quer a mar e amar o mar amar verde mar a-mar o mar de mar a mar
a-mar à mar mar a mar mar-a mar o mar a-mar amar a-mar-o-mar o a-mar-a mar-a mar-a mar : a-mar-o-mar )
Essa mulher habitante do meu cérebro
Modigliani a pintou vezes em telas
- Modigliani pintou-a vezes algébricas
retratando-a de chapéus
ob a rubrica da esposa dele
cujo nome era Jeanne Heburterne
que se suicidou grávida
quando Modigliani faleceu no hospital
devido aos excessos de álcool e tóxicos
ingeridos em seus desvarios
Todavia essa mulher da obra de Modigliani
essa mulher verde mar em mim verde
mar a amar a mar e o mar em mim
nunca saiu de dentro de mim
jamais encarnou-se ou reencarnou-se
em meus oaristos de priscas horas
porque o amor sempre é platônico
nunca deixa a idéia
que é transcendental
a idéia é pura e literalmente cerebral
não cai no mundo do anjo
que caiu com face no pó da terra
( a terra é o homem
produto de água mar de mar em sangue
no corpo de água e terra
onde faísca o relâmpago
que inspira o ar na combustão
que explode no motor dos pulmões )
O amor jamais desce ao solo
tal qual a rainha ou a princesa na liteira
que não põe seu pé de princesa real
no chão barbudo de ervas daninhas
e lagartos em velocidade
entre os feixes de sol
e o verde vegetal
que amarra o solo
e fotografa a vida
pela câmara da clorofila
O amor é a mulher verde em olhos
que mora na aldeia
arquitetada e construída dentro de mim
pela minha imaginação delirante
do meu cérebro agindo no sonho
A mulher verdede verdes olhos a olhar verde de olhos verdes a olhos verdes
verdes olhos de mar a mar - amar é a pura idéia de Platão
que está presente no ser de cada indivíduo
em poesia e poesia que poesia
poesia-a em poesia em mim e ti
( a poesia-a e poesia-a à poesia em poesia de poesia
- poesi-a à poesia e poesia-a na poesia-na poesia que poesia
a poesia-a poesia-a a poesia à poesia de poesia )
O amor é sempre platônico
não sai dos lindes mapeados pela idéia de Platão
pois o que procuramos numa mulher
é a realização perfeita da idéia da mulher
que está dentro do nosso ser
com aquela mulher real lá fora
a mulher existente
a mulher no mundo
vestida em carne mutante
mergulhada no turbilhão de causas e efeitos
- um ser no mundo feito mulher
e não mais somente dentro do ideário ideal platônico
arquitetado em nosso cérebro
Anelamos pela conjunção do sexo perfeito
união feliz de dois sexos que se encaixem plenamente
que se satisfaçam cabalmente no orgasmo sincrônico
algo ainda platônico
porque a carne existente
não tem a leveza transcendente
para fazer o amor fora da criança
que vem em deus Amor
- realizar o amor fora da roda da criança no berço
ou na manjedoura do presépio
A mulher ideal vive comigocomo um monja dentro de um monge
que é sua cela de carmelita descalça
florindo nos muros elevadosde um mosteiro plantado em solode um tempo medieval curvo
numa curva surreal do espaço corvo
- turvo corvo curvo é o espaço e o tempo
na geometria que analisa a curva da parábola cartesiana
A mulher verde musgo e erva e mar
morrerá comigo
embora não toque o solo
nem seja iluminada pela energia
que risca o raio de fogo na matéria composta
ou reproduza outro animal
- Morrerá comigo
porque dentro dela canta um anjo
que sou eu fora da geometria plana de Euclides
este anjo vivo ou morto
A mulher verde ideal trai a mulher real
que existe no mundo
ao sol clorofilado e não à sombra sem clorofila
do mundo onírico
onde ela rasteja pelas ervas verdesdo Sistema Nervoso Vegetativo
que é o jardim do poeta
( Ela nada sereia no mar de dentro
no líquido amniótico de filha que não vai nascer )
( a-mar-o o mar de mar a mar : a-mar-o o mar-o a mar e mar )
domingo, 27 de dezembro de 2009
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